Página Inicial
 
 
 

ARTIGOS

Especialista: 45% dos eleitores estarão indecisos no dia da eleição

Leandro Amaral

De acordo com a última pesquisa Ibope, menos da metade dos entrevistados já tem candidato a vereador. Ao todo, 52% não lembram em quem votaram para a Câmara em 2004. Para angústia daqueles que almejam o voto, segundo a ABCOP (Associação Brasileira de Consultores Políticos) no dia do pleito, 45% dos eleitores não terão decidido o voto para vereador. Já na disputa ao Executivo, o número é menor: 15%. O resultado é fruto do dados colhidos nas últimas eleições municipais nas cidades de Teresina (PI), São Paulo e Curitiba (PR).

"Não existe mágica, nem varinha de condão. Se até agora o eleitor não foi convencido, nada poderá ser feito nesta reta final que de um excelente resultado. Marketing pessoal é trabalho com tempo. Não adianta o candidato se matar agora nos últimos dias. Ele tem que confiar na campanha que fez, pois chegou o momento de colher o que foi plantado ao longo dos três meses do período eleitoral", afirma o presidente da ABCOP, Carlos Manhanelli, também especialista em marketing eleitoral.

Segundo ele, a "obrigação do voto" é um dos fatores preponderantes no cenário dos indecisos. "O Brasil tem um viés muito forte que é o voto obrigatório, a partir do momento que se interpreta como obrigatório, culmina neste índice alto, pois têm pessoas que não se interessam pela política e nem pelo destino da cidade", explica.

Para Manhanelli, a indecisão dos eleitores acabará no dia que terminar a obrigatoriedade do sufrágio. "Defendo como principio democrático, porque voto consciente é um direito que se usa ou não, você não precisa ser obrigado a isso", destaca. "Quem defende o voto obrigatório é quem acredita que o povo não sabe votar e está na hora do povo brasileiro ter consciência de discernir o que é bom ou não", observa.

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Carlos Ayres Britto, concorda com a tese do fim da obrigatoriedade. No entanto, defende que a mudança não seja radical. "Eu entendo que temos um encontro marcado com esse tema no futuro e a legislação consagrará, como em outros países, a voluntariedade do voto. O eleitor comparecendo porque quer participar efetivamente do processo eleitoral e se engajando nas campanhas com mais conhecimento de causa e determinação pessoal", disse Britto, em entrevista a programa da TV Brasil.

Britto afirma que, no momento, a democracia brasileira ainda precisa ser cristalizada. "Como rito de passagem, a obrigatoriedade do voto deve permanecer ainda por mais tempo. Até que a democracia se consolide e que a economia chegue mais para todos", ressaltou.

Por outro lado, uma das coordenadoras da ONG Voto Consciente discorda da visão do ministro. Para Rosângela Giembinsky o fato da obrigação não muda o pensamento do eleitor. "Não acredito, penso que o descaso em relação à política é o principal fator, e com este a acomodação do cidadão", rebate. Ela acredita, porém, que as cidades que não possuem propaganda eleitoral gratuita na televisão - como é o caso do ABC - prejudicam o crivo do eleitor. "As cidades que recebem as campanhas de outros municípios, acabam sem um espaço mais efetivo para chegar informação às pessoas. Penso que isso contribui e muito para este resultado (indecisos) em vésperas", explica. "Acredito, porém, que é possível ter informações por meio de amigos e pessoas confiáveis para fazer a melhor escolha", sugere.

Nesta questão, é a vez dos especialistas discordarem da integrante da ONG. "De nada adianta achar que faz falta o rádio e a televisão se a população não se informa das noticias e dos fatos da cidade por esses veículos. Portanto a inexistência de veículos de massa não prejudica a formação do voto pelo eleitor. Cidades que têm esses veículos nem sempre os tem como referência das noticias isentas do município", contra-argumenta Carlos Manhanelli.

No domingo (5), o primeiro voto na urna é para vereador, com cinco dígitos. Depois de conferir o nome e a foto, é só confirmar na tecla verde. Se o eleitor preferir, pode votar nos candidatos de determinado partido sem escolher um nome específico. Isso é o chamado voto de legenda. Neste caso, são só dois dígitos: o número do partido. Depois, é só conferir e confirmar.

Na seqüência, o crivo será para o prefeito, com dois dígitos. Depois de conferir o nome e a foto do candidato e também do vice (novidade), é só confirmar também na tecla verde. Se o eleitor preferir, pode não optar por nenhum postulante. Para isso, basta apertar a tecla branco ou digitar um número que não pertença a nenhum dos pleiteantes.

  • Reporter Diario

Outros artigos