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“Os bastidores das campanhas eleitorais”"
Robson Becker Loeck(*)
Os bastidores das campanhas eleitorais geralmente ficam à margem da cobertura jornalística e, conseqüentemente, dos eleitores, que acabam tendo acesso a notícias variadas que envolvem os candidatos e seus partidos e informações sobre como está a competitividade eleitoral através dos dados fornecidos pelas pesquisas de opinião.
Não é a toa que assim seja, pois candidatos e integrantes de campanhas não “saem por aí” a informar a imprensa sobre suas estratégias e/ou dificuldades, com exceção das econômicas.
O que acaba vindo à tona, na maioria das vezes pelas revistas semanais e jornais diários de circulação nacional ou estadual, são entrevistas superficiais ou bate-bocas entre os integrantes das campanhas, ainda mais ao final do processo eleitoral, onde os louros pela vitória são disputados ou os culpados pela derrota são procurados.
O que não é do conhecimento da maioria do eleitorado é como se dá a organização e o planejamento das campanhas, e quais as pessoas que trabalham para sua efetivação, que muitas vezes passam longe dos holofotes da mídia, mas importantíssimas na atual forma de fazer política, intitulada por muitos de política de imagem, devido ao fato da preponderância dos veículos de comunicação eletrônicos, principalmente da televisão, em que predomina as imagens e não as palavras.
Como elementos constitutivos de uma campanha temos basicamente os seguintes atores sociais: a família do candidato, seus amigos de confiança (assessores), membros do partido e pessoas para atividades de rua (caminhadas e/ou divulgação do candidato) e profissionais da área jurídica, da comunicação social e das ciências sociais, tendo os dois últimos um papel crescente em períodos eleitorais, pelo fato de um candidato não conseguir apertar a mão e falar pessoalmente com cada um dos eleitores na busca de votos, necessitando dominar determinados procedimentos e técnicas de comunicação de massa.
O que vivenciamos pode ser descrito como um processo de profissionalização das campanhas eleitorais, onde especialistas auxiliam o candidato a conhecer e decifrar um eleitorado heterogêneo e possuidor de demandas socioeconômicas e subjetivas (valorativas, sentimentais, emocionais, etc.), o que torna em geral a disputa eleitoral bastante acirrada e a conquista da maioria absoluta dos votos muito difícil.
Assim sendo, da mesma forma que uma empresa comercial precisa ser organizada para a colocação de seu produto no mercado, o candidato precisa ser competente para formar a equipe que organizará sua campanha, pois na corrida eleitoral o trabalho em equipe é fundamental. E, entre os seus componentes destacam-se dois profissionais: os cientistas políticos e os publicitários. Os primeiros são os responsáveis pelo diagnóstico do quadro político-eleitoral e pelo conteúdo político da campanha, cabendo aos segundos a determinação da melhor forma de estabelecer a comunicação do candidato com o eleitor.
Desta forma, a campanha pode ser vista como um triângulo composto pelo candidato e seus assessores diretos e, nas outras pontas, pelo cientista político e o publicitário, que obrigatoriamente terão que trabalhar em sintonia para que a estratégia adotada seja seguida à risca e os objetivos alcançados.
Cabe salientar que a estratégia escolhida deverá estar sempre sendo monitorada e o objetivo bem delimitado, pois nem sempre um candidato possui chances de vitória, devendo trabalhar pensando nas próximas eleições, que acontecem em intervalos relativamente curtos (a cada dois anos) no contexto brasileiro.
Então, fica claro que uma campanha eleitoral necessita de organização e planejamento, mas o que ainda hoje se encontra bastante obscurecido é justamente sobre os papeis dos profissionais da política, tornando a sua relação, na maioria das vezes, com os assessores do candidato e membros do partido político bastante complicada, pois afinal, como confiar a campanha a pessoas que não são nem filiadas ao partido.
Isso demonstra que o candidato e seu partido, antes mesmo de governar, caso queiram contar com profissionais, precisam saber escolhê-los, visto que a responsabilidade política de tudo o que se fizer durante a campanha são suas e os acompanharão no futuro. Por isso, não é possível fazer uma campanha eleitoral hoje sem o devido tempo e clareza de pretensões futuras.
- (*)Robson Becker Loeck é cientista político da MÉTODO, consultoria e pesquisa (www.metodo.inf.br). E-mail: robson.loeck@metodo.inf.br
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