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  ROBERTO RECH NA IMPRENSA
   
 

E N T R E V I S T A – Revista Cultura

 

Luiz Roberto Dalpiaz Rech

   
 

LITERATURA INFANTIL

   
 

Nesta edição, vamos entrevistar o escritor Luiz Roberto Rech.
Com 24 obras publicadas, tendo entre elas, “O Macaquinho Azul”, “Oratória para Crianças”  e a “Coleção Símbolos do Rio Grande do Sul o autor é dotado de uma criatividade intrigante. Criador do personagem “AMAZ, O Macaquinho Azul. Rech também é editor da Imprensa Livre, diretor do www.assessoriapolitica.com e ministra palestras sobre Marketing Político e Eleitoral, A Comunicação Subliminar Aplicada na Política, entre outros.  É fundador e palestrante da Cooperativa Universidade de Líderes Juventude Sem Fronteiras e pesquisador holístico. É um dos apresentadores do programa AGROBAND na Rádio Bandeirantes AM – 640.

Como surgiu a inspiração para escrever?

Acho que sempre fui escritor, mesmo antes de começar a escrever. O empurrão que eu precisava veio quando eu tinha 8 anos de idade com minha professora Marta Trevisan, numa escola na Barra do Ouro – Maquiné. Confiando na minha veia literária ela desafiou-me a redigir um poeminha e ler para a turma. De inicio não dei bola para a provocação da minha professora e amiga. A motivação foi total quando ela anunciou que eu ganharia um bonequinho feito de deliciosas balas no final da tarefa. Em um minuto fiz o poeminha. Era assim: “Os pinguinhos de chuva/ que belos eles são/ vão caindo lentamente/ na cabeça do João. Dali em diante não parei mais de escrever. Hoje reconheço a professora Marta como a grande incentivadora. Com ela apreendi a gostar da leitura também.

Então você considera importante a literatura infantil

Sem dúvidas. A literatura infantil contribui para o crescimento emocional, cognitivo e para a identificação pessoal da criança, propiciando ao aluno, a percepção de diferentes resoluções de problemas, despertando a criatividade, a autonomia, a criticidade, que são elementos necessários na formação da criança de nossa sociedade atual.

Das obras infantis de sua autoria qual você desataca como especial.

Amaz, o macaquinho azul.

Por quê?

Eu escrevi este livro em duas horas. Foi como se alguém me ditasse o texto. Eu queria criar um personagem para ensinar as crianças a importância da questão ambiental. Um Ensinar a criança o senso de RESPEITO, de IMPORTÂNCIA e de RESPONSABILIDADE. Daí veio a idade de criar um personagem infantil.

O Livro tem uma história mágica e envolvente que tem como objetivo conscientizar e despertar as crianças para a preservação ambiental. O personagem AMAZ - uma homenagem a floresta amazônica - veio ao mundo diferente, para mostrar às crianças que só elas podem salvar o mundo da destruição. A obra virou sucesso de vendas na Amazônia, depois aqui e em outros estados. Todos os anos, durante a Feira do Livro de Porto Alegre, o personagem participa distribuindo mudas de árvores.

Através do livro é possível conscientizar as crianças para a questão ambiental?

Os estudantes de hoje em dia querem respeitar as instituições que os respeitam, querem seguir e respeitar os professores que lhe dêem oportunidade de realização de auto-descoberta, querem que lhe seja ensinado como a disciplina pode ajudá-los a tirar melhor proveito dos seus talentos.

As crianças são questionadores - e isso não é rebeldia, mas sede de importância e de senso de responsabilidade.

Qual seria a melhor maneira de ensinar uma criança a respeitar o meio ambiente? A criança precisa aprender a respeitar a natureza tem que aprender que existe o outro, o seu semelhante, conviver e deixar espaço para o outro.

Mas é um processo longo.

O processo é longo e difícil se considerarmos os problemas que estamos enfrentando hoje como a poluição do ar, lixo acumulado, poluição dos rios, extinção de espécies, falta de água apropriada para beber, esgotos a céu aberto, indústrias que jogam os seus poluentes tanto nos rios como na atmosfera, a destruição das florestas, o extrativismo, o fogo, a falta de proteção aos mananciais, etc..
Acredito que, desde cedo despertar uma consciência ecológica nas crianças é até uma questão de sobrevivência, afinal a saúde do planeta depende diretamente de como estamos agindo hoje. Não é por acaso que, face ao descaso das autoridades, estão surgindo várias ONGs.

Pelo que vejo você é muito ligado as questões ambientais.

Sim. Também sou técnico agrícola. Trabalhei muitos anos nesta profissão. Por isso defendo que a consciência ambiental comece lá na base. É fácil ensiná-las. Em pequenas coisas do cotidiano, tais como separar o lixo, moderar o uso da água, maneiras ecologicamente corretas, as pequenas atitudes que tomamos ao passear com a ela  em um jardim, em que se mostrem algumas plantas, as lagartas que delas se alimentam, transformam-se em pupas e depois em borboletas. Os pássaros que fazem os seus ninhos nas árvores, comem os insetos, embelezam a natureza. Só o fato de mostrar às crianças que fazemos parte de um elo na cadeia que existe na natureza, em que cada um depende do outro para sobreviver, irá despertar uma consciência ecológica com certa precocidade.
Uma boa alternativa para as crianças é programar visitas e passeios a um zoológico, jardins botânicos, museu de história natural ou ate mesmo ir a um sitio no meio rural, para que os pequenos possam ver como e a vida fora das cidades, de que ela e bem diferente do que se mostra e se ensina na televisão, e elas perceberão que, as coisas não nascem prontas, que os alimentos que ela consome são produzidos na terra, ver os rios de onde sai a água que ela bebe, a água que se usa para cozinhar, lavar, limpar, etc..

A própria criança erguerá muros de proteção no que achara que é importante em sua vida e na da sua comunidade, desde que parta do adulto a iniciativa em mostrar, apontar os erros e acertos que o homem toma em relação ao meio ambiente. Existe hoje literatura apropriada, sites na Internet, programas e documentários especializados na televisão, mostrando uma gama de assuntos ligados ao ambiente. O que se precisa é muita ousadia dos educadores para mudar o canal, dirigir a criança para o que é bom, educativo, saudável e lhe dar parâmetros para trilhar a sua vida e assegurar a sua descendência.

Vamos tentar corrigir este processo, antes que seja tarde demais. Educação ambiental na infância é garantir de certa forma a sobrevivência da espécie humana e do mundo em que vivemos. Por isso a importância do livro e do personagem Amaz, O Macaquinho Azul.

Parece que você lançou um desafio as escolas gaúchas. É sua a idéia “Criança Escritora Nota DEZ”? Qual era o objetivo?

Nós fizemos esta campanha através da Editora Imprensa Livre. A proposta era propor desafio às escolas, sobretudo, aos educadores, para que oportunizasse às crianças uma forma de desenvolver a criatividade, o raciocínio, o interesse,  a auto-estima e a responsabilidade, incentivando os alunos a escreverem a publicarem um livro.

Sei que leitura e escrita caminham juntas. Paralelamente ao trabalho de incentivo à leitura, se faz necessário incentivo a escrita. A escrita exercita a imaginação. Por isso o desafio lançado.

O que você imaginava com esta campanha?

Despertar, através da escrita,  a sensibilidade da criança. Sair da sala de aula e observar o vôo dos passarinhos, bem como seu canto; descrever uma flor, uma árvore, e depois comparar e discutir as observações ou então escrever um poema, algo sobre a família, etc. Essas e outras atividades, além de estimular a imaginação, resgatam valores esquecidos nesta vida moderna, mas que nem por isso estão fora de moda.

Escrevendo e lendo, como eu disse, a criança adquire senso de respeito e responsabilidade. A prática da escrita e da leitura permite a criança  sonhar, enfrentar medos, vencer angústias, desenvolver a imaginação, viver outras vidas.

Nesta campanha, qual seria o papel da escola?

A escola tem de estar envolvida para formar bons leitores e escritores, sendo um agente influenciador no gosto pela leitura e pelo conhecimento, proporcionando em seu espaço um ambiente propício, capaz de formar sujeitos com senso crítico, não deixando serem influenciados por ideologias vãs.

A questão central é que o aluno aprenda a ler, interpretar e produzir textos com qualidade e competência discursiva, enfocando situações didáticas específicas.

E o papel do professor?

Os professores devem propiciar um encontro adequado entre as crianças e os textos, pois se algum aluno chegasse a ser um escritor graças a  intervenção escolar, o professor cumpriria sua missão com lucro. Para isso existem professores que são pontes necessárias no caminho destes alunos,  preocupados em melhorar a qualidade da leitura e da escrita dos mesmos. Precisam dar o exemplo e despertar a curiosidade dos jovens e das crianças, demonstrando sua paixão pela leitura, pois quando o trabalho é feito com gosto fica fácil descobrir a melhor forma de envolver a turma.

E para encerrar. É mais fácil escrever literatura para adulto ou criança?

Sempre defendo que, para criança, ler é mais importante do que estudar, como não poderia achar o mesmo em relação a todas as pessoas, independentemente de sua profissão ou idade? A leitura, qualquer uma, seja de livros, revistas, jornais e até bula de remédio, é uma viagem que o homem pode e deve fazer em busca do seu conhecimento. Os pais não têm idéia de como é importante a presença da literatura, de ler, na vida dos seus filhos. Qualquer um, livros de história, livros que contam casos, que despertam a curiosidade das crianças para a vida, para o mundo.