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Na contramão do que mostram os resultados dos pleitos anteriores em Uberlândia, o consultor político Luiz Roberto Dalpiaz Rech afirma que em eleição nunca há derrota. Para ele, a exposição proporcionada por uma campanha eleitoral, mesmo que não haja vitória nas urnas, sempre traz vantagens para o político.
O profissional, que é assessor parlamentar no Rio Grande do Sul e autor de 16 livros, entre eles "Seja um político nota 10", "136 metáforas aplicadas na política" e "Manual do candidato vencedor", faz questão de recordar a história política do ex-governador gaúcho Joaquim Vicente Bogo.
Conforme relatou, ele iniciou a carreira política se candidatando para vereador em um pequeno município daquele Estado, aproveitando-se da popularidade que tinha como radialista. O resultado não foi o esperado e ele obteve apenas 75 votos. Mesmo assim, não desistiu e ousou se candidatar posteriormente a deputado federal constituinte, sendo eleito com 37 mil votos.
Atuante na Constituição de 1988, o deputado se destacou como defensor dos trabalhadores rurais ao propor aposentadoria aos 55 anos para as mulheres e 60 anos para os homens. A partir daí, Joaquim Bogo se elegeu novamente deputado federal, foi vice-governador e chegou ao cargo máximo do Executivo estadual. "Não se paga nada pela exposição. Poucos votos já é uma vitória. Costumo dizer que uma campanha começa 12 anos antes; o candidato se torna conhecido por milhares de pessoas, vai aumentando os votos e, na terceira tentativa, ele se elege", ensina.
Roberto Rech afirmou ainda que os eleitores votam em determinado candidato por três razões: oposição a outro candidato, para ganhar algo em troca e, por último, e com maior peso, por identificação com aquele candidato. No entanto — o que prova que eleição é mesmo uma caixa de surpresas -, ele alerta que a tentativa de se eleger para um cargo mais alto pode causar um efeito negativo junto aos leitores, que podem pensar: "O cara já vai se candidatar para outro cargo. O interesse dele era este". |