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  ROBERTO RECH NA IMPRENSA
   
 

O mercado de trabalho na
visão de dois técnicos agrícolas

   
 

Nesta terceira edição da editoria Comportamento, a Letras da Terra, além de aproveitar para homenagear os técnicos agrícolas pela recente passagem do seu dia, 5 de novembro, traz à tona um assunto que de uma forma ou de outra preocupa os jovens formandos. Os alunos dos cursos técnicos do Ensino Médio, em geral são adolescentes, e é neste período desafiador, de expectativas, mas também bastante ansiogênico, que ocorre a passagem rápida de uma situação a outra. Eles deixam de ser pupilos para se apropriarem do papel de profissional para o qual foram formados. Sabendo da importância da sua responsabilidade junto aos produtores rurais – e isso significa que do seu trabalho dependerá boa parcela dos resultados que eles obterão, portanto sua atuação tem relação direta com a vida das famílias e o seu futuro – a revista convidou dois técnicos agrícolas para fazerem a sua análise sobre este momento, que é tão crucial no universo de um recém formado. Carlos Dinarte Coelho e Luiz Roberto Dalpiaz Rech aceitaram o desafio e escreveram o seu depoimento em forma de matéria. Sindicalistas, eles são procurados por quem está ingressando na carreira e, portanto, têm uma boa noção de como se sentem. Eles relembram para que os técnicos estão habilitados e deixam o seu conselho para as escolas e professores.

“Bom dia, aqui é da Riocell, seu nome foi aprovado na seleção de técnicos para trabalhar na empresa. Apresente-se amanhã, portando os seus documentos, e parabéns!” O Técnico Agrícola Luiz Roberto Dalpiaz Rech lembra desse telefonema como se fosse ontem. Aquele começo de 1981 ia bem. Ele recém havia concluído o estágio na Madezorzi, onde se deu ao luxo de recusar a proposta de trabalho por considerar pouco os três salários mínimos mensais oferecidos. Agradeceu e se candidatou a uma vaga na Riocell. Foi chamado na primeira semana. “Naquele tempo, a oferta de emprego era vasta. Lembro do primeiro dia. Confesso que tinha uma sensação de inaptidão para o cargo. Depois de passar por um processo de integração, por reuniões com a equipe de Recursos Humanos e de visitar todos os prédios e divisões da instituição, me senti mais seguro”, lembra Rech.

A dificuldade demonstrada pelo exaluno do Colégio Agrícola Visconde de São Leopoldo é percebida ainda hoje pelos estudantes egressos das escolas técnicas agrícolas do Estado. Para o técnico agrícola Carlos Dinarte Coelho, presidente do Sindicato dos Técnicos Agrícolas do Estado do Rio Grande do Sul (Sintargs), os candidatos que procuram a entidade em busca de colocação no mercado também mostramse inseguros em relação ao primeiro emprego. Segundo o dirigente, em geral, os novos profissionais possuem bons conhecimentos técnicos, porém, mostram-se inibidos diante da realidade que irão enfrentar. “A prática pedagógica influencia na formação do egresso e na sua atuação como mediador entre a ciência, a tecnologia e o agricultor. O técnico agrícola tem um papel importante a desempenhar como vetor de novas tecnologias para o campo e da nova concepção de propriedade rural”, afirma Coelho, que é complementado por Rech: “Antes disso, porém, é um líder e como tal deve se comportar”. É da opinião de ambos que a escola deve se preocupar com a formação holística. Eles entendem que os alunos precisam ter uma boa formação técnica, mas devem desenvolver mais os sensos crítico, ético, cooperativo e de liderança, bem como a capacidade de comunicação e escrita. Segundo Coelho, os novos profissionais relatam sentir orgulho da escola. Elogiam o trabalho de sala de aula pela inovação do uso do vídeo, o nível dos professores e das novas tecnologias, os recursos didáticos empregados e a presença do computador, mas a unanimidade na preferência foi por aulas práticas, de laboratório ou de campo, em detrimento das teóricas. “O perfil do novo aluno deve ser voltado para o empreendedorismo e não para o ‘empreguismo’”, alerta Coelho. Autor do livro Técnico Agrícola, formação e atuação profissional, juntamente
com Rech, ele relata que o técnico agrícola pode, por lei, elaborar e assinar projetos, ser responsável técnico de empresas, emitir receituários, assinar laudos periciais, entre tantas outras atribuições.

No entanto, só percebe que tem esse direito quem bate à porta do sindicato. “Quando descobrem o potencial que possuem, muitos acabam montando o próprio negócio, tornado- se médios e até grandes empreendedores”, declara o presidente. Para o Sintargs, uma proposta pedagógica com vistas à formação do técnico agrícola deverá contemplar tanto um programa de educação para a leitura crítica dos meios como também discussões sobre as questões da globalização, da cooperação, da liderança e, sobretudo, das atribuições profissionais.

 

Revista da Agptea - P. 17
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