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  ROBERTO RECH NA IMPRENSA
   
 

A COOPERAÇÃO DE VERDADE
Uma reflexão

   
 
Luiz Roberto Dalpiaz Rech
   
 

Eu tinha nove anos quando, certa vez, fui acordado às cinco horas da manhã pelo meu avô. A justificativa para a interrupção do meu sono, muito bom, por sinal, era de que eu precisava cooperar na capina da limpeza do milharal, planejada por ele naquele dia. Ainda sonolento, me pus de pé para, em seguida, juntar-me aos meus tios e irmãos. A minha função era carregar e distribuir água aos trabalhadores. Confesso que me senti importante por cooperar com a equipe. Daquele dia em diante, passei a conjugar esta importante palavra do nosso dicionário. Eu coopero, tu cooperas, nós cooperamos. A palavra “cooperação” transcende ao simples significado de trabalhar em comum ou colaborar, auxiliar e ajudar. Entendo que a cooperação está acima do ato de cooperar no desenvolvimento de um trabalho, como simplesmente carregar água em dias de capina. A “cooperação” tem, acima de tudo, significados e princípios morais de grandeza e elevação para o espírito humano. A humanidade precisa aprimorar seus atos de cooperação. Em verdade estamos tendo a necessidade premente de cooperação para a sobrevivência, diante das necessidades dos seres humanos. A pergunta que deve ser feita é: será que todos concordam com essa afirmação? E aqueles que se intitulam cooperadores ou cooperativistas, o que pensam? Como se
comportam no dia-a-dia? Essas perguntas não podem ser respondidas sem que antes reflitamos sobre as mesmas. Aliás, a reflexão é o mote deste texto. Este é o propósito.

Reza a história que certa vez um senhor, percorrendo um caminho, deparou-se com uma obra em início de construção. Três cidadãos, com suas ferramentas, trabalhavam na fundação do que parecia ser um importante projeto. O viajante aproximou-se curioso. Perguntou ao primeiro deles o que estava fazendo.

- Estou quebrando pedras, não vê? - respondeu o cidadão.

Expressava no semblante um misto de dor e sofrimento. Eu estou morrendo de trabalhar, isto aqui é um meio de morte, as minhas costas doem, minhas mãos estão esfoladas e eu não suporto mais este trabalho, concluiu.

Mal satisfeito, o viajante dirigiu-se ao segundo cidadão e repetiu a pergunta.
- Estou ganhando a vida - respondeu. Não posso reclamar, pois foi o trabalho que consegui. Estou conformado porque levo o pão de cada dia para minha família.

O viajante queria saber o que seria aquela construção. Perguntou então ao terceiro pedreiro:
- O que está você fazendo?

Este respondeu:
-Estou construindo uma COOPERATIVA!

Três cidadãos (associados), três respostas diferentes para o mesmo trabalho. Cada um manifestou sua própria visão. Para o primeiro, o serviço significava dor e sofrimento. Um sacrifício que certamente tornava a ação muito mais penosa e lhe fazia mal.

O segundo cidadão manifestou indiferença. Estava conformado, mas não realizado. O trabalho nada lhe significava e ele só o fazia por obrigação. Já o terceiro cidadão tinha a consciência da importância do que fazia. Desempenhava a função com orgulho e satisfação. Tinha o sentimento elevado de participar de uma grande realização, de um grande projeto o que lhe dava muito mais força, energia, ânimo, felicidade. Diante desta passagem eu concluo que a construção de uma cooperativa passa pela educação cooperativa.

   
  Luiz Roberto Dalpiaz Rech
Secretário da Frente Parlamentar de Apoio ao Cooperativismo (Frencoop/RS) e presidente da Cooperativa Universidade de Líderes Juventude Sem Fronteiras (Cooplíder)
 

Fonte: Jornal - O Interior
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